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terça-feira, 3 de novembro de 2009

First Girl

Ela chama Flávia. Hoje eu nem falo mais com ela, nem sei se a tenho ainda no orkut, mas ela estava linda da última vez que a vi, com uns 18 anos. Como ela foi a minha primeira namorada (com pedido de namoro!) eu num tenho como me esquecer dela. Ela era minha vizinha de condomínio aos 9 e 10 anos e graças as primeiras brincadeirinhas de verdade ou consequênia a gente deu nosso primeiro beijinho, um selinho que pra mim havia sido O BEIJO. Daí ela passou a me chamar de pãozinho (OMG não esqueço isso, kkk) e de namoradinho. Ela é mais velha que eu quase 2 anos mas também não tinha beijado ninguém. Era divertido mas sempre me deixava muito nervoso quando ela estava por perto até por que havia a pressão dos nosso amiguinhos pra nos ver beijar, o que de FATO nunca aconteceu. Lembro de quando ela me chamou na piscinha e disse, "quer namorar comigo?". Eu ri de nervosismo e surpresa e disse que sim. Aí está, meu primeiro namoro com 10 anos.
Duas coisas que me marcaram muito durante o 'namoro'. A primeira foi quando fomos assistir filme na casa de uma vizinha nossa e ela pegou na minha mão por baixo no lençol e colocou as pernas entre as minhas, eu achava que aquilo era um super envolvimento e que dali só passaria quando eu me casasse, então naquela hora fiquei com medinho e muita vergonha. Outro momento importante foi em um aniversário que fomos de uma amiga nossa com todos os vizinhos do condomínio, aquelas festinhas de criança, e alguns amigos nossos queriam que a gente beijasse de língua! ISSO ERA O MUUUUST pra mim. Mas como eu nunca tinha feito isso e confesso que estava morrendo de medo e com pouca vontade de fazer eu sumi da festa! Ops... cadê o Victor? Mais tarde me encontram no estacionamento e disseram que ela estava no banheiro esperando e que iam segurar a porta pra gente beijar. kkkk Mas tive que dizer que ia embora. E fui, sem beijar.
Foi uma época muito emocionante pra mim. Apesar desse bendito beijo ter acontecido só 3 anos depois com outra garota. O namoro terminou por que um dia alguns vizinhos queriam brincar de gato mia na minha casa, e ela não, e eu fui brincar e deixei ela. Aí ela bateu no meu apartamento e disse "não estamos mais namorando". Eu fechei a porta e voltei a brincar. Porque afinal eu era uma criança e preferia brincar do que ficar dando satisfação das minhas brincadeiras. Depois voltamos a ser amigos e nos beijar nas brincadeiras de verdade ou consequência, até que ela começou a ficar de verdade com outro garoto mais velho lá do prédio e permaneci BV mais alguns anos.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

The sweetest

Tente se lembrar da primeira vez que você percebeu que estava apaixonado. Não tô falando do seu primeiro beijo por que talvez ele nem tenha sido um apaixonado, nem do seu primeiro namoro por que talvez nem tenha ido tão longe. E talvez ainda, você nem tenha beijado a pessoa que mais desejou. Tô falando da primeira vez que você se surpreendeu por estar pensando em uma pessoa de forma mais especial (se é que posso dizer) do que pensa nas outras pessoas. A primeira vez que você teve um medo irracional de que alguma coisa acontecesse de negativo entre vocês. Aquele dia que depois de ter ido ao cinema com ela, secretamente se surpreendeu por nunca ter estado tão feliz.

Se descobrir apaixonado é sempre muito gostoso. E comigo a primeira vez foi chocante, prazerosa e conflitante dentro da minha cabeça. Chocante por que me peguei olhando pra alguém que estava todo dia lá comigo há anos e eu nunca tinha visto mais que um amigo nele (mesmo que fossemos muito íntimos) e nem sonhava que chegaria a me sentir assim. Prazeroso já era desde quando o sentimento era só de amizade. Conflitante? Essa você deve imaginar, na época em que isso surgiu eu era religioso demais pra aceitar aquele prazer numa boa. Por causa disso tudo, foi o momento mais intenso da minha vida e até hoje se você me perguntar quantos anos eu gostaria de ter eu te respondo na lata, 16 pra sempre.

A memória que eu quero registrar aqui não é chocante. Se fosse uma foto, você nem imaginaria o que a cena tem de tão importante. Uma rua, duas bicicletas descendo por ela em alta velocidade, uma corrida. Dois moleques suados com o vento batendo na cara. Me lembro de estar perdendo. Mas era bom, de trás dava pra ver quem estava na frente e observar o cabelinho dele mexendo com o vento. Nossa! Como eu gostava daquilo. Descia aquela rua naquela bicicleta com aquela companhia muitas vezes no dia e foi em uma dessas descidas que eu tive aquele frio na barriga e pensei: "Não sei como eu consegui viver sem isso tanto tempo."

terça-feira, 9 de junho de 2009

In Memorian

Durante a vida as pessoas tem muitos animais de estimação. Eu mesmo já tive muitos deles, a maioria eram cãezinhos, mas também já tive 4 periquitos (se me lembro bem se chamaram Bam-Bam, Pedrita, Princesa e Franklin), que morreram de infecção intestinal, eles defecavam e não sei por que o cocô deles ficava pregado na bunda e com o tempo juntava bactérias, dava doença e eles amanheciam deitadinhos no fundo da gaiola. Deles eu nem senti muita falta, eles só ficavam fazendo barulho na sacada. Também uma vez tive uma aranha. Se chamava Tarja e eu a guardava em um pote de maionese com um galhinho dentro pra ela fazer a teia dela. Eu gostava de jogar pernilongos, mosquitos e formigas pra ela comer, se você já viu uma aranha caçando e se alimentando deve conhecer essa emoção. Tive que soltar Tarja no jardim do prédio porque ela colocou um saco de ovos e em uma semana o pote de maionese tinha tanta aranha que eu cheguei a sonhar com elas andando pela casa. Soltei tudo.

Mas esse post é especial pra um cãozinho que eu ganhei de uma amiga, Amy, o Willy. Willy Poll. Ele não era o cachorro mais amigo que se pode ter, aliás, ele era o mais esnobe que um cão pode ser. Mamãe dizia que era por causa da raça dele, Lhasa-Apso, que é um raça tibetana que foi criada como companhia para monges. Imagina um cachorro monge, então. Ele ficava sempre paradinho no cantinho, nem parecia que tinha um pet na casa. Mas o que eu mais gostava nele eram suas peculiaridades. Ele não era muito adepto do latido, como um bom monge era bem silencioso, só tinha o estranho costume de latir para o guarda-roupas e isso ninguém entendia. Mas ele resmungava muito, e era um grunhido que soava parecido com um sapo, só que rouco. Willy tinha um comportamento muito estranho. Certas vezes enquanto eu estava assistindo televisão no quarto, ele passava rolando pelo corredor. Sim, ele passava rolando pelo corredor, indo e voltando sem fazer barulho, só rolando. Ele não sabia brincar. Quando era jovem ele até brincava de morder a nossa mão mas com a idade e as doenças chegando ele foi se aposentando do convivio social, até que no final de sua vida era um cãozinho quieto, tímido, silencioso e fedidinho (segundo minha mãe, todo mundo fica fedido quando fica velho "não vê a sua vó como é fedidinha?").

Nos últimos dias Willy passava maior parte do dia deitado, não levantava nem pra fazer necessidades então percebemos a morte batendo à portinha de sua casinha. Em sua última noite, quando chegamos em casa ele estava deitadinho, todo cheio de xixi, no meu quarto, olhando pela sacada do décimo segundo andar (pensando em suicídio talvez O.o). Nem fez festa, devia estar com muita dor vinda da infecção na bexiga. No outro dia enquanto eu estava na escola meu irmão disse que o viu cambaleando até a cozinha, deu uma risada pois achou a cena engraçadinha até que o Willy Poll caiu, mijou e cagou tudo. Morreu.


(Willy Poll, 2005)